domingo, 13 de abril de 2008

‘Estômago’ é o ‘Ratatouille’ da cozinha dos pobres

Apaixonado por culinária e por cinema, o diretor Marcos Jorge conta que juntou a fome e a vontade de comer ao fazer “Estômago”, seu primeiro longa-metragem de ficção, que chegou aos cinemas na sexta-feira (11). Encantado pela animação “Ratatouille”, lançada em 2007 pela Disney/Pixar, o diretor afirmou: “‘Estômago’ é o ‘Ratatouille’ da cozinha dos pobres, pois fala de boteco, coxinha e pastel”.

O filme conta a história de Raimundo Nonato (João Miguel), um nordestino que chega a Curitiba sem dinheiro, sem ter o que comer nem onde ficar, e que descobre no talento de cozinhar uma saída para seus problemas. Premiado no Festival do Rio 2007, em Rotterdam e também em Punta Del Este, o longa finalmente chega agora ao grande público brasileiro.

Em entrevista ao G1, Jorge confessa sua expectativa com a estréia, fala de gastronomia e da experiência em escrever e filmar “Estômago”. Leia, abaixo, trechos da entrevista.

G1 – Como acha que será a reação do público diante de “Estômago”?
Marcos Jorge - Estou ansioso. Não é nem pela reação do público, porque quanto a isso estou seguro, já fizemos muitas exibições. Estou mais ansioso para que o público saiba que o filme está nos cinemas, já que não temos um lançamento gigante. Exibi “Estômago” para um público vasto, em vários países, nos festivais, e percebi que ele funciona com todas as pessoas, de todas as idades. Elas saem sorrindo do cinema.

G1 – Saem sorrindo? Mesmo com um final tão pesado?
Jorge -
O final é uma porrada. Você acompanhou esse herói, você gostou dele, mas ele não é o que você pensa. É um personagem muito rico, e as pessoas gostam dele apesar do que ele é. O filme é politicamente incorreto, tem vários preconceitos, mas apesar de tudo isso os personagens têm muita humanidade.

G1 – No filme, você conta histórias de duas fases da vida de Raimundo paralelamente. Como surgiu essa idéia?
Jorge -
Essa é a idéia de que eu mais me orgulho. Antes de começar o roteiro, tínhamos um conto inédito, escrito pelo Lusa Silvestre. Mas já que íamos fazer um longa, tivemos que inventar mais 70%. Quando montamos a escaleta, percebi que as duas histórias ficariam melhor paralelas, e escrevemos o roteiro pensando nisso. De outra forma, todo o suspense do filme estaria perdido. É um formato muito comum no cinema moderninho, mas a maneira que usamos não foi usual.

G1 - Você cozinha?
Jorge -
Vivi por 12 anos na Europa. Morei na Itália e tive que aprender a cozinhar. A Itália reverencia a comida como obra de arte, e o ritual da alimentação é muito intenso. Isso sempre me fascinou e tinha vontade de fazer um filme. A verdade é que, para fazer “Estômago”, eu juntei a fome e a vontade de comer.

G1 – Há vários filmes recentes sobre culinária. Como acha que “Estômago” se encaixa nesse meio?
Jorge -
A culinária é um tema que rendeu muitos filmes e grandes clássicos do cinema. “Estômago” é o “Ratatouille” da cozinha dos pobres, pois fala de boteco, coxinha e pastel. Mas o filme tem feito muito sucesso e já foi vendido para 11 países.

G1 – Há muitos atores novos no filme. Como selecionou o elenco?
Jorge -
Cada personagem teve uma história diferente. Precisava de um ator nordestino, e temos muitos, extremamente talentosos. Pensei no João Miguel, pois adoro uma participação que ele fez no filme “Cidade baixa”. Conversei com ele, queria um personagem forte e não caricato. De resto, a maioria dos papéis foi decidida por meio de testes, feitos no Rio, em São Paulo e em Curitiba. Fui atrás dos meus personagens e fui bem rigoroso. O Paulo Miklos eu convidei também. O personagem dele é uma homenagem ao que ele fez em “O invasor’, filme da retomada. Ele é safo, inteligente e um ótimo ator.

1 Comentário:

Moira disse...

Oi Daniel,
Obrigado pela sua visita, estou retribuindo, e quando vi esse post não resisti a comentar.
Aqui em Portugal ainda não ouvi falar desse filme, estou aguardando impaciente, através de outros blogs brasileiros consegui encontrar o trailer do filme e até fiz o downlowd do livro de receitas no site do filme. Achei o máximo e brevemente farei um jantar com os amigos cuja ementa será baseada nas receitas do filme.
Um abraço
Moira (Tertúlia de Sabores)

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